Carlos, só Alguma Poesia tua
É que me Faz render o desejo do Ar
Neste Brejo das Almas chamado mundo
Onde, se eu fosse Raimundo,
Talvez eu tivesse solução.
Mas a Lição de Coisas que a vida me dá
(Claro Enigma no limiar das horas)
É tão inexata quanto A paixão Medida
E apenas se faz sabida
Quando tento Esquecer para Lembrar.
Nada se aprende num instante exato,
Tempo Vida Poesia, fado...
Nem mesmo O Amor Natural.
Amar se Aprende Amando,
Assim, devagarzinho, feito A Rosa do Povo
Crescendo no asfalto.
E Eu, etiqueta, rotulada, em busca do Menino Antigo
Que num Bom tempo viveu em mim
Aprendo nesta Poesia Errante,
Que O Avesso das Coisas pode ser
A única coisa direita e natural.
A minha história, Carlos,
Com meu Discurso de Primavera e Algumas Sombras
Que aparecem nela,
Repetiu a praga do teu anjo torto
E eu também fui ser gauche na vida.
(Alma no Corpo errado que Deus abandonou.)
E é mentira que Os Ombros Suportam o Mundo
(Eu nem me chamo Raimundo!)
E quando me perguntam: “E agora José?”
Tudo o que eu quero é tomar meu conhaque
E desvelar minha Nudez.
Mas a Lição de Coisas que a vida me dá
(Claro Enigma no limiar das horas)
É tão inexata quanto A paixão Medida
E apenas se faz sabida
Quando tento Esquecer para Lembrar.
Nada se aprende num instante exato,
Tempo Vida Poesia, fado...
Nem mesmo O Amor Natural.
Amar se Aprende Amando,
Assim, devagarzinho, feito A Rosa do Povo
Crescendo no asfalto.
E Eu, etiqueta, rotulada, em busca do Menino Antigo
Que num Bom tempo viveu em mim
Aprendo nesta Poesia Errante,
Que O Avesso das Coisas pode ser
A única coisa direita e natural.
A minha história, Carlos,
Com meu Discurso de Primavera e Algumas Sombras
Que aparecem nela,
Repetiu a praga do teu anjo torto
E eu também fui ser gauche na vida.
(Alma no Corpo errado que Deus abandonou.)
E é mentira que Os Ombros Suportam o Mundo
(Eu nem me chamo Raimundo!)
E quando me perguntam: “E agora José?”
Tudo o que eu quero é tomar meu conhaque
E desvelar minha Nudez.
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*Homenagem aos 110 anos do poeta Carlos Drummond de Andrade
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