segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

DO SENTIDO DA VIDA


Muitas teorias filosóficas tentam explicar ou compreender o sentido da vida. Tomo aqui como fundamento desta minha divagação os conceitos Schopenhaurianos e Nietzschianos de "vontade", que entendo (permitam-me os filósofos) como a raiz metafísica de toda realidade, em que a vontade seria o princípio fundamental da natureza. Para Schopenhauer a vontade é algo sem nenhuma meta ou finalidade, apenas um conceito irracional e inconsciente, independente da sua representação; no entanto, é esta vontade que anima a vida humana.

Em Nietzsche, temos um conceito de vontade amplificado, a chamada "vontade de potência", que consiste na força originária que rege o universo; o modo como se comporta aquilo que não pode ter finalidade ou sentido e que vive as custas de si mesmo.

É importante atentarmo-nos para os conceitos supracitados a fim de compreendermos a visão crítica que pretendo expor aqui. Diante dos conceitos de vontade propostos pelos filósofos (entenda-se "vontade", aqui, como fundamento da existência), pergunto-me: "a vida seria um acidente absurdo?" ou ainda: qual será o sentido da vida? Ao deperarmo-nos com o pensamento Schopenhauriano, concluímos que viver se resume apenas na objetivização da vontade, em que o real é em si mesmo cego e irracional. Fenômenos como política, cultura e tantas outras manifestações do ser humano são apenas representações da vontade primeva que compõe a essência da realidade, vontade esta que é vazia de significado, mas que ocorre devido a sua naturalidade inconsciente.

Portanto, admitir que a vida é um mero acidente absurdo, significa admitir que ela não parte dessa vontade natural inconsciente, mas de algo ou de alguma outra força criadora que tenha se enganado no "percurso criador", já que "acidente" pressupõe intencionalidade. A vida não é fruto de uma criação intencional ou do desvio dessa criação, mas da própria força originária de criação da vontade; da própria realidade das coisas.

Nietzsche vem corroborar esta ideia, não apenas quando confirma a vontade de potência como conceito vazio de finalidade ou sentido, mas também quando "nos lança ao eterno retorno"; o que o autor de Zaratustra faz é muito mais do que ressignificar o pensamento schopenhauriano, ele traz à tona uma discussão acerca de como a vontade fundamental da vida pode nos levar ao sentido da própria vida. Parece, à princípio, uma contradição do pensamento nietzschiano, mas o mergulho no eterno retorno torna possível esta conclusão. Os impulsos advindos da vontade de potência relacionam-se de diversos modos no universo e a todo o momento essa vontade faz surgir novas formas de vontades, a partir daí, o mundo apresenta-se como um devir, em que, a cada alteração segue-se uma outra; é um eterno vir-a-ser. Na visão de Nietzsche, o ser é devir porque está sempre se fazendo, sempre por fazer, resultando num processo eterno.

Fato é que, "o homem prefere querer o nada ao nada querer; a vontade de nada e a revolta contra as condições fundamentais da vida, ainda é vontade de potência, porque permite dar um sentido à vida e à própria vontade." O ser humano comum não se atenta a essas questões, pouco se lhe importa o sentido da vida, mas o sujeito de sensibilidade aguçada não se contenta em estar nesse mundo sem saber qual a sua razão; a vida haveria de ter um sentido? Schopenhauer diz que "viver é sofrer".

O simplório não tem a consciência do viver, ele apenas existe nesse mundo como outra coisa inanimada qualquer, mas o homem dado à sensibilidade, a quem Aristóteles chama de "indivíduo excelente e superior", sempre se questiona sobre o significado da vida, ele possui a consciência da ausência de sentido e, por isso, ele sofre tanto de uma melancolia profunda. Seria a "dor de ideia"?

Talvez seja apenas a consciência de que o único sentido da vida é o viver.

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